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As Pastorinhas de Pirenópolis-GO

Atualizado em 19/11/14 09:21.

AS PASTORINHAS DE PIRENÓPOLIS/GO

As Pastorinhas foram introduzidas no Brasil pelos jesuítas no século XVI. Esse bailado folclórico de origem portuguesa compõe-se de representações coloridas e movimentadas com cantos e danças dramatizados principalmente por moças. O enredo principal seria a visita dos pastores, no caso do bailado, em sua maioria "pastoras", que seguem a Belém com o intuito de homenagear o menino Jesus, por isso a maior incidência de representações tem as festas natalinas por referência.

Câmara Cascudo, ao inserir o verbete “pastorinha”, o remete ao “pastoris” onde aponta que “em Pernambuco e no Nordeste em geral, os pastoris são cordões, feitos em geral aos sábados, do Natal até as vésperas de carnaval, indo as pastoras divididas em duas filas paralelas: uma chamada cordão azul e outra cordão encarnado” (1972, p. 683). Outra informação importante é de que a “inclusão do nome ‘cordão’ no pastoril denuncia a influência poderosa da dança e música profana” (1972, p. 683) ao bailado. Sobre as alterações ocorridas o referido autor descreve que “os pastoris foram evoluindo para os autos, pequeninas peças de sentido apologético, com enredo próprio, divididos em episódios, que tomavam a denominação quinhentista de ‘jornada’” (1972, p. 683).

Assim sendo esse bailado natalino foi se difundindo pelo Brasil afora e teve grande difusão no Nordeste e Sudeste do Brasil devido à atuação da Companhia de Jesus. Mesmo depois da expulsão dos Jesuítas,  com o passar dos anos,  o  bailado  foi  se adaptando aos contextos em que ia se inserindo.

Em Pirenópolis esse auto natalino acontece desde a década de 1920 e compõe os festejos do Divino Espírito Santo, que ocorrem nas comemorações de Pentecostes, reunindo no teatro a comunidade local num indício claro da importância deste evento na socialização dos grupos envolvidos. Apesar de ser em outras localidades um festejo tradicional ligado ao culto popular católico, em Pirenópolis representa as articulações da classe social na posse dos espaços de atuação sócio-político-culturais.

            As moças da comunidade escolhidas para participar do entrecho se distribuem entre o cordão vermelho e o cordão azul, assim como os demais personagens (Fé, Esperança, Caridade, Cigana, Anjo, Diana e Religião); aos homens cabem os papéis de Simão (o velho), Benjamin (o menino) e Luzbel (o capeta). As Pastorinhas acabam por representar o momento de apresentação das meninas à comunidade, um verdadeiro rito de passagem, onde a dança e a música servem de suporte à tradição local.

 

Fonte:

CASCUDO, Câmara. Dicionário do Folclore Brasileiro. 3ª ed. Rio de Janeiro: Tecnoprint, 1972, 930p.

LÔBO, Tereza Caroline, CURADO, João Guilherme da Trindade. As Pastorinhas: auto teatral que compõe a Festa do Divino em Pirenópolis.In: Anais do III Simpósio Internacional Cultura e Identidades. Goiânia: FCHF/UFG, 2007.

Texto: Tereza Caroline Lôbo

Fotos: João Guilherme da Trindade Curado

 

É permitida a cópia de fotos, desde que seja citada sua fonte, atribuindo os créditos ao devido autor do álbum.

 

 

Abertura da Revista "As Pastorinhas"

Pastoras do cordão vermelho em primeiro plano

 

Pastoras do cordão azul em primeiro plano

 

Pastoras dançando

 

Simão Velho junto às Pastoras

Contra-mestra salva pelo Anjo das tentações do capeta

 

Cira, a Cigana do Egito

 

Religião

 

Pastoras ofertando flores ao Presépio

 

Pastoras ofertando flores

 

Apresentação dos símbolos

 

Os símbolos: Fé, Esperança e Caridade

 

Lusbel tentando matar a Religião que é salva pelo Anjo

 

Apoteose final: todo o elenco em cena

 

Porta do Teatro após a apresentação

 

Ita e Alaor, os diretores da Revista "As Pastorinhas"

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